Os Jetsons ou Black Mirror? Na era dos robôs que pensam, sentem e criam incertezas
16 de abril de 2019

(Foto: Shutterstock)
Quem viveu na década de 60, certamente lembra de um desenho animado que introduziu no imaginário das pessoas o que seria o futuro da humanidade: Os Jetsons.
Com o tema a “Era Espacial”, um dos personagens importantes da série era Rosie. Um robô que fazia todo o trabalho da casa e também tinha a função de ajudar a cuidar das crianças.

Quase 60 anos depois, Rosie não é mais ficção.
Com o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial, ela começa a ganhar sua versão real em robôs como Sophia, que tem diversas habilidades, incluindo a capacidade de compreender sentimentos.
Modelada em homenagem à atriz Audrey Hepburn, Sophia tem um comportamento mais próximo aos humanos do que robôs anteriores. Lançada em 2016 pela empresa Hanson Robotics, de Hong Kong, ela consegue reproduzir 62 expressões faciais, compreender e expressar sentimentos e trabalhar com seres humanos.

Imagem: Sophia Hanson Robotics
Conhecida por dar entrevistas e participar de eventos, Sophia tornou-se o primeiro robô a receber a cidadania de um país. Desde 2017, é cidadã da Arábia Saudita.
Quando Sophia fala todos param para ouvi-la com um misto de espanto e curiosidade, especialmente por conta de sua desenvoltura e ideias que parecem ser tão próprias, tão humanas.
No site da empresa que criou Sophia, a Hanson Robotic, é possível ver uma série de outros robôs inteligentes. Entre eles estão Little Sophia, Han, Jules, Zeno e até Philip K. Dick, uma “homenagem” a um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos.
Segundo a empresa, “Quando as pessoas se deparam com os robôs Hanson, como Sophia, elas tendem a demonstrar envolvimento profundo e relatar uma conexão emocional calorosa e inesquecível.”
A noção de empatia robótica não se trata apenas de tecnologia, mas também de psicologia e de confiança.
Já imaginou um robô cuidando de você?
As plataformas robóticas e de inteligência artificial com características humanas conseguem suprir diferentes necessidades do mercado que vão desde o simples atendimento ao cliente até cuidados na área médica.

Assim como a Rosie, robôs poderão ajudar a cuidar das crianças, além de fazer companhia para pessoas que vivem sozinhas.
No Japão, onde existe grande falta de cuidadores para idosos, já se considera essa aplicação para os robôs.
Podemos imaginar muitas aplicações e benefícios no uso de robôs. Mas quais riscos eles podem oferecer para os seres humanos além da eliminação de milhares de empregos?
Aliás, qual a chance deles virarem em nossas vidas um pesadelo como acontece em vários episódios do seriado Black Mirror da Netflix? (Se você não viu essa série, a gente recomenda. Veja o trailer clicando aqui).

Imagem: Netflix
Em uma entrevista para a CNBC, quando o criador de Sophia perguntou a ela “Você quer destruir os humanos?”, a resposta imediata foi “OK, eu destruirei os humanos”.
Será que essa resposta da Sophia foi uma brincadeira, o resultado de um sofisticado algoritmo de humor negro?
Tomara que sim.
Porque, por mais empatia que os robôs tenham pela humanidade, não sabemos de fato o que acontecerá quando, além de sentimentos, eles vão adquirir consciência, ambições e vida própria.







